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Contar piadas é pecado ? - Padre Paulo Ricardo

domingo, 12 de março de 2017

O Big Brother e a preocupação com a vida alheia

Explorando o vício da curiosidade, o Big Brother Brasil tem seguido os mesmos passos das novelas globais para minar a família e destruir a juventude brasileira

 

O que é o Big Brother Brasil, por que fez tanto sucesso em nosso país e por que é tão explorado pelos portais de notícias da Internet? 

O programa trata-se de um reality show – literalmente, "show de realidade". A ideia original desses espetáculos – cujo formato pode variar muito – é apresentar às pessoas a rotina e o dia a dia de outras pessoas reais. Ao contrário de filmes, novelas e seriados, nos quais os atores interpretam personagens, as pessoas chamadas a participar desses programas têm que interpretar tão somente a si mesmos – em um contexto todo fantasioso, no caso do Big Brother, repleto de comidas, bebidas, lazeres... e absolutamente nenhum trabalho. 

Movidas pela ânsia dos holofotes e pelo desejo da fama, são muitas as pessoas a imolar a própria privacidade no altar do reality show. Os eventuais prêmios com que os ganhadores desse programa são bonificados nem se comparam à possibilidade de todos serem vistos aos olhos da sociedade e poderem, quem sabe, ingressar em uma carreira pública – seja na própria televisão, seja no Congresso Nacional, por exemplo. 

O mais intrigante, porém, é como tantos brasileiros podem perder o seu tempo com algo desse tipo. Afinal, o Big Brother só está em sua 15.ª edição na rede nacional porque tem audiência suficiente para se manter. O argumento de que os entusiastas do programa se restringem a quem assiste à TV não cola. Os sítios da Internet, todos, trazem notícias sobre o que acontece na tal "casa mais vigiada do Brasil" e, impressionantemente, são essas as matérias mais lidas pelos internautas.
O que explica esse fenômeno? Por que isso acontece? 

É que o Big Brother explora um vício muito característico da própria cultura brasileira, a curiosidade. (Não à toa os telespectadores são convidados pelo apresentador do programa a "dar uma espiadinha".) Este vício consiste, segundo o parecer de São Beda, "na assistência aos espetáculos e na investigação e crítica dos vícios alheios" [1]. Santo Tomás de Aquino, doutor da Igreja e profundo conhecedor do comportamento humano, ensina que, no que diz respeito aos sentidos, há dois modos de ser curioso: ou procurando por algo inútil ou mesmo por algo nocivo [2]. 

A olhar para o conteúdo do reality show em questão, é preciso dizer que dar-lhe audiência não se trata apenas de querer saber algo sem utilidade alguma – o que já é bastante óbvio. É que o próprio Big Brother Brasil é um espetáculo perigoso. Além de incentivar os mexericos e difamações à vida alheia – as pessoas se dividem em "panelinhas" de fofocas e as personagens consideradas impróprias são eliminadas em um "paredão" –, o programa global está repleto de cenas pornográficas, uma pior do que a outra. Desvinculando totalmente o sexo da realidade familiar, o Big Brother mina a base dos relacionamentos maduros e saudáveis e estimula os jovens a uma busca frenética e irresponsável por prazer sexual a qualquer custo [3]. Não é exagero dizer que os pais que gostam de dar uma "espiadinha" trazem a promiscuidade para dentro de sua própria casa

Antes que alguém chame as considerações aqui expostas de "moralismos", importa apontar o quanto programas deste teor já destruíram a família brasileira nas últimas décadas. Só as novelas da Rede Globo – que são uma versão bem mais soft do que é o BBB – contribuíram significativamente para o aumento do número de divórcios e a queda no número de filhos no país. É que, de 115 novelas globais transmitidas entre 1965 e 1999 no horário nobre, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% delas eram infiéis a seus parceiros. Um quadro que foi se tornando, pouco a pouco, um retrato da sociedade brasileira. 

Por isso, deixar de assistir à programação permissiva e liberal da Rede Globo – com suas novelas, reality shows e "Esquentas" – não é nenhum "moralismo" de fundamentalistas cristãos. É apenas a medida mais sensata que os homens de bem desse país precisam tomar para salvar a própria família e preservar o amor dentro do Matrimônio. Caso contrário, também eles cairão, assim como "caiu a grande Babilônia" (Ap 18, 2). 

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Comentário à Primeira Epístola de São João, 2, 16: ML 93, 92D
  2. Cf. Suma Teológica, II-II, q. 167, a. 2
  3. Pornografia e violência nas comunicações sociais: uma resposta pastoral, n. 16
Fonte: www.padrepauloricardo.org

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